Quantidade X Qualidade


POR VINÍCIUS AGUIAR

"Por esta razão, nós também, desde o dia em que ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual..." - Colossenses 1:9

Graça e paz, meus manos e minhas manas!!!

Bom, quero deixar claro em primeiro lugar que não sou contra o crescimento das denominações, ou grupos religiosos (não gosto de usar a palavra igreja, visto que igreja não são placas nem grupos religiosos, mas pessoas) e também não sou contra que oremos pelo crescimento dos nossos grupos, mas, quero tratar aqui de como está sendo esse crescimento e claro, como sempre, qual a visão bíblica a respeito.

Estava lendo um devocional esses dias que falava mais ou menos isso, que em nenhum lugar na Palavra de Deus os apóstolos dos gentios oraram para que houvesse crescimento do número de cristãos, mas oraram para que os já cristãos se fortalecessem, se tornassem mais espirituais, tivessem revelação e conhecimento de Deus e sua Palavra. Claro dei uma conferida e realmente não os encontrei orando por “quantidade”, mas, em outras palavras, orando por qualidade.

A igreja moderna tem usado artifícios carnais/emocionais para atrair pessoas e isso tem criado uma geração de crentes de “oba oba” (que amam um evento gospel, congresso, mega evento, mas nada de conhecimento da Palavra e intimidade com Deus) ou de crentes legalistas/religiosos (que amam apontar o dedo pros erros dos outros e não entendem o que significa “graça”) ou ainda os crentes libertinos (desprezam totalmente a lei, não sabem também o que é graça, vivem sua vida como se Deus não existisse ou não estivesse por perto, observando tudo). Qualquer um desses três grupos está longe do propósito de Deus.

Quando nós ensinarmos/pregarmos o que deve ser ensinado/pregado (Conhecimento de Deus, intimidade com Deus) e pararmos de ensinar outro tipo de coisa (pode-não pode, como ganhar dinheiro, como ser feliz, como namorar, como casar e etc), os novos cristãos vão aprender através da única fonte confiável e realmente da maneira correta.

Suponhamos que eu tenha um carro de motor bem fraco, mas eu quero andar nele bem rápido. Então faço diversos cursos de pilotagem na Europa toda durante anos e pronto, sou um dos melhores pilotos do mundo daqui a uns 10 anos. Entro no carro de motor fraco que eu falei, e vamos pra pista. Vou fazer o carrinho ultrapassar a velocidade do som? Não. Por quê? Porque, embora tenha feito algo importante, esqueci o mais importante nesse caso, resolver o problema do motor fraco do carro. É assim que acontece quando a gente ensina um milhão de coisas, que não deixam de ser importantes, mas a gente não se foca e nem ensina o essencial.

Veja, a “igreja evangélica” esta crescendo, a cada censo tem mais “crente” no Brasil, mais shows gospel, mais espaço na mídia. Em paralelo a isso a violência está aumentando, os crimes, a prostituição, a promiscuidade, os escândalos, a bagunça generalizada, a audiência das novelas, tudo também aumenta.

O que isso significa? A igreja está grande, inchada, lotada, mas não influencia como deveria, não é relevante, está se adequando a modinhas, se tornando gostosinha de frequentar, bonitinha, com bons músicos mas, esquecendo o essencial. São raros os crentes que conhecem a Palavra de fato hoje em dia, e exatamente por isso acabam fazendo parte de um dos três grupos que citei há pouco.

Vamos entender uma coisa: Os discípulos não oravam por crescimento porque entendiam que se os cristãos conhecessem a Palavra e conhecessem o seu Deus, seria inerente a isso que eles obtivessem sabedoria, discernimento, fossem espirituais, soubessem se relacionar, e claro tivessem amor por vidas, logo, eles fariam a coisa acontecer “de dentro pra fora”, de maneira natural e não “de fora pra dentro” como temos visto hoje.

Sabe quando Jesus resumiu toda a lei em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo? Era isso, foco no que é essencial. Amando a Deus sobre todas as coisas, você não coloca ninguém no lugar Dele, nem dinheiro, nem ídolos, nem paixões, nem você mesmo, nada. Amando ao próximo como a si mesmo você não rouba, não mata, não cobiça, não mente, não inveja, não falsifica.

Da mesma forma, pregando a Palavra e ensinando exatamente o que Jesus e os discípulos ensinaram, a gente não precisa falar de outro assunto nem muito menos dar nossa "opinião pessoal" sobre o que quer que seja, o que quer que pode ou não, ou como se deve ou não fazer, o manual é aquele. E já que a gente enche a boca pra falar que a Bíblia é nossa única fonte de fé e prática, que tal colocarmos isso em prática e fazer tudo só do jeito que esta escrito lá?




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