Eu compreendo a sua dor [Ele escolheu os cravos - parte 5]



Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado. HEBREUS 4.15

Por que Jesus viveu na terra durante todos aqueles anos? A sua vida não poderia ter sido muito menor? Por que não pisar em nosso mundo o tempo suficiente para morrer por nossos pecados e então partir? Por que não um ano ou uma semana sem pecado? Por que teve Ele de viver uma vida?
Carregar os nossos pecados é uma coisa, mas suportar nossas queimaduras de sol, a garganta seca? Para provar a morte, sim - mas suportar a vida? Suportar longas viagens, longos dias e temperamentos rudes? Por que Ele fez isto? Porque Ele quer a sua confiança.
Na conclusão de sua vida terrena, ouvimos o som de um homem sedento. E, através de sua sede — através da esponja e do vaso cheio de vinagre — Ele faz seu apelo final. "Você pode confiar em mim. " Jesus. Lábios rachados, garganta tão seca que não podia engolir e a voz tão rouca que mal podia falar. Ele tinha sede. Para saber a última vez em que estes lábios foram molhados, é necessário voltar doze horas até a refeição. Desde o gole naquela taça de vinho, Jesus havia sido cuspido, cortado, humilhado e açoitado. Ele havia carregado a cruz e suportado pecados, sem beber qualquer líquido para aliviar sua garganta. Ele estava com sede. Então por que não fez algo sobre isto? Será que não podia? Não transformou Ele água em vinho? Não fez uma parede do rio Jordão e duas paredes das águas do mar Vermelho? Ele não cessou a tempestade e acalmou as ondas? Não dizem as Escrituras a respeito dEle: "Converte o deserto em lagos" (Sl 107.35) e "converteu o rochedo em lago de águas" (Sl 114.8)? Não disse Deus: "Porque derramarei água sobre o sedento" (Is 44.3)? Então, por que Jesus suportou a sede?
Enquanto fazemos esta pergunta, adicionemos algumas outras. Por que Ele ficou cansado em Samaria (João 4.6), perturbado em Nazaré (Mc 6.6), e furioso no templo (João 2.15)? Por que dormiu no barco do mar da Galiléia (Mc 4.38), ficou triste no túmulo de Lázaro (João 11.35), e teve fome no deserto (Mt 4.2)? Por quê? E por que Ele teve sede na cruz? Ele não precisava ter sede. Não, pelo menos, no nível que teve. Seis horas antes lhe haviam oferecido algo para beber, mas Ele recusou. E levaram-no ao lugar do Gólgota, que se traduz por lugar da Caveira. E deram-lhe a beber vinho com mirra, mas ele não o tomou. E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes, lançando sobre eles sortes, para saber o que cada um levaria (Mc 15.22-24).
Antes de o cravo ser pregado, foi-lhe oferecido uma bebida. Marcos diz que o vinho estava misturado com mirra. Mateus o descreve como vinagre com fel. Ambos, mirra e fel, contêm propriedades sedativas que amortecem os sentidos. Mas Jesus recusou. Por quê? Por que Ele suportou todos estes sentimentos? Porque Ele sabia que você também os sentiria. Ele sabia que você sentiria cansaço, perturbação, sono, fome e raiva. Ele sabia que você sentiria dor. Se não dor corporal, a dor da alma...
Ele sabia que você sentiria sede. Não só de água, mas sede da verdade, e a verdade que salta da imagem de um Cristo sedento é: Ele compreende. E por Ele compreender, podemos nos chegar a Ele. Não poderia a falta desta compreensão nos afastar dEle? A falta de compreensão não nos afasta das pessoas? Suponha que você esteja passando por dificuldades financeiras. É preciso alguma direção de um simpático amigo. Você pediria conselho ao filho de um milionário? (Lembre-se que você vai pedir conselho, não empréstimo.) Você consultaria uma pessoa que herdou uma fortuna? Provavelmente não. Por quê? Ele não entenderia. Ele nunca passou por esta situação, assim, não sabe o que você está sentindo. Jesus, por sua vez, sabe e pode. Ele já passou pela mesma situação e sabe como você se sente. E, caso a vida dEle na terra não convença, sua morte na cruz deveria.
Ele entende o que você está passando. Nosso Senhor não nos padroniza ou zomba de nós. Ele responde "generosamente a todos dando sabedoria" (Tg 1.5).
A palavra confiança não aparece na passagem sobre o vinagre e a esponja, mas encontramos uma frase que torna mais fácil a confiança. Veja a sentença que antecede à declaração de sede: "Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede" (Jo 19.28). Neste versículo, João nos dá o motivo por trás das palavras de Jesus. Nosso Senhor estava preocupado com o cumprimento das Escrituras. Na verdade, o cumprimento das Escrituras é um tema recorrente na paixão.
Considere a lista:
A traição de Jesus por Judas ocorreu "para que se cumpra a Escritura" (Jo 13.18; leia Jo 17.12).
A disputa pelas vestes aconteceu "para que se cumprisse a Escritura, que diz: Dividiram entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes" (Jo 19.24).
As pernas de Jesus não foram quebradas "para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado" (Jo 19.36).
O lado de Jesus foi traspassado para cumprir a passagem que diz: "Verão aquele que traspassaram" (Jo 19.37).
João diz que os discípulos ficaram atônitos ao ver o túmulo vazio "porque ainda não sabiam a Escritura, que diz que era necessário que ressuscitasse dos mortos" (Jo 20.9).
Por que recorrer às referências bíblicas? Por que, em seus momentos finais, Jesus estava determinado a cumprir as profecias? Ele sabia que duvidaríamos. Ele sabia que questionaríamos. E, não querendo que nossas mentes mantivessem seu amor distante de nossos corações, Ele utilizou seus momentos finais para oferecer a prova de que Ele era o Messias. Ele sistematicamente cumpriu as profecias do Antigo Testamento. Cada importante detalhe foi escrito antecipadamente:
• a traição por um amigo da família (Sl 41.9)
• a falsa acusação (Sl 35.11)
• o silêncio diante de seus juízes (Is 53.7)
• a sua inocência provada (Is 53.9)
• a inclusão entre os pecadores (Is 53.12)
• a crucificação (Sl 22.16)
• o escárnio dos espectadores (Sl 109.25)
• o insulto do descrédito (Sl 22.7-8)
• a disputa por suas vestes (Sl 22.18)
• a oração por seus inimigos (Is 53.12)
• o desamparo de Deus (Sl 22.1)
• a entrega de seu espírito nas mãos do Pai (Sl 31.5)
• os ossos não quebrados (Sl 34.20)
• o enterro na sepultura do homem rico (Is 53.9)
Ele é o Messias. Seu ato final, então, é uma forte mensagem para os cautelosos: "Você pode confiar em mim". Não precisamos confiar em alguém? E este alguém não precisa ser maior do que nós? Não estamos cansados de esperar que as pessoas desta terra nos compreendam? Não estamos cansados de buscar forças nas coisas do mundo?
Um marinheiro que está se afogando não pede ajuda a outro marinheiro que também está se afogando. Um prisioneiro não pede que outro prisioneiro o liberte. Um mendigo sabe que não deve pedir a outro mendigo. Ele sabe que precisa receber de alguém mais forte do que ele. A mensagem de Jesus através da esponja embebida em vinagre é esta: Eu sou esta pessoa. Confie em mim.

                      Trecho extraído do livro: Ele escolheu os cravos - Max Lucado


Desejo a todos uma ótima semana *-*
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