Retroceder? Não!!

                 Por Vanessa Utzig       
Quisera Melquideseque não cometer erros. Quisera. Desta vez extrapolou. O filho veio com amigos para casa – amigos da cidade vizinha – e saíram à noite. Como impedir? Não dá, eles têm direito às suas escolhas e além do que, Melquideseque já fora jovem, precisa entender. A coisa desandou quando passou das 2 da matina e nem sinal da gurizada. Etelvina liga pro filho que não atende e quando finalmente atende, não diz nada. O casal começa a se preocupar. Oram intranquilos pedindo a Deus que proteja seu filho. Mandam mensagem pro celular do filho, pedindo que ligue ou que atenda aos chamados, apenas para tranquiliza-los. Nada. Jacob não atendia nem ligava. Nas mentes preocupadas dos seus pais, pensamentos horripilantes lhes são acometidos e eles a cada um, afugentam e clamam pelo sangue de Cristo. Por que tanto drama? Na certa o menino está bem. Precisamos confiar em Deus e pronto. A cabeça assim pensava, mas o coração acelerava. Durma-se com um barulho desses. Não, ninguém dorme antes que o filho volte. Chega o filho – graças a Deus – bem. Não bebeu, graças a Deus. Os pais perguntam a razão de não atenderem ao celular e o filho diz que o perdera. Os amigos do filho se indignam com tanto “policiamento” e começam a xingar Melquideseque e Etelvina! “Os senhores não sabem o filho legal que têm, ele não bebe, não mente, obedece aos senhores e é tratado assim, os senhores fazem ele de gato e sapato...” – O que é isso que tu ta dizendo piá?  - diz Etelvina.
- Olha tia, é isso mesmo, a senhora é muito má, não deixa seu filho fazer nada. – responde o guri de aparência emo, de cabelos pintados, piercing no nariz, fala efeminada e chorão. Sim, chorão.
- Eu não sou tua tia! Não me chame assim!
- Eu chamo a senhora de tia por educação(desde quando chamar alguém de "tia" é educado? Somente criancinhas pré-escolares e mesmo assim não convém, até por questão de segurança, é preciso distinguir quem seja mesmo ou não da família), pois eu sou muito educado e religioso. Sou muito religioso, rezei antes de vir pra cá pra que tudo desse certo, mas olha, - se dirige a Jacob e aponta o dedo pra ele e pra Etelvina, bradando: - Jacob, tu não deve nada à essa aí (referindo-se à mãe do Jacob!!!), tu não deve nenhuma obrigação, nenhum respeito, nada! Porque tu é muito bom e ela é má, ela não te dá valor, ela só te prende. Não se importe com ela, ela não merece...
Neste momento, Melquideseque que tinha, junto com Etelvina, procurado ser compreensivo e conversar com eles, tendo visto que o tal guri estava nervoso, havia bebido e principiava chorar a cada instante, perde a paciência e ordena:
- Saia daqui agora. Vai achar outro lugar pra dormir. Aqui não.
Nunca em sua vida Melquideseque havia feito isso ou algo assim. Nunca. Já abrigara várias vezes gente em aperto, até mesmo dividindo a pouca comida da família; jamais mandara ninguém sair de sua casa. Os amigos de seus filhos tinham livre acesso à casa e tudo sempre em paz. Mas naquele momento, Melquideseque não suportou e decidiu não tolerar tamanha afronta, de um piá desconhecido e rebelde, incitar, dentro de sua própria casa, seu filho contra ele, contra os pais! Naquele momento, mesmo compadecido do estado lastimável de estupidez e ridículo do guri, não se apiedou o suficiente para abrigá-lo. Sentiu-se mesmo um carrasco, ao mesmo tempo sentia a necessidade de lutar pela família, por Deus sim, e Seus princípios eternos de honra e justiça. O guri choroso chamou Jacob “Vem com a gente, não precisa ficar aí com essa gente má” – sem pensar que “essa gente má” é a família dele! – Jacob permaneceu calado, enquanto seus amigos brigavam com seus pais, argumentando suas razões juvenis egoístas e mundanas.  Bem que Melquideseque tentou lhes dizer que estavam apenas preocupados, mas agora estavam mais tranqüilos, graças a Deus. Melquideseque e Etelvina tentavam conversar com eles, mas eles só queriam “defender” Jacob e seu direito à liberdade, mesmo sem que os pais saibam onde ele esteja... Pois esse era o problema: eles não sabiam. Como não se preocuparem? Mas seus amigos não queriam ouvir, e sim detonar os pais do amigo. Acabar com a paz na família. Desrespeito e afronta na madrugada. Melquideseque não suportou. Agiu mal? Sentiu-se muito mal, só conseguiu dormir pela manhã e mesmo assim, mal. Na porta da casa, o guri de aparência estranha (e não era a aparência que incomodava Melqui e Ete, mas a atitude rebelde e perversa) lhe aponta o dedo mais uma vez e diz: “Vocês não são religiosos, minha mãe é religiosa e ela não fica me ligando quando eu saio, ela confia em mim”. Volta-se para Jacob e diz:
 - Não se importe com eles, Jacob. Eles não são bons.
E parte com o outro amigo, com sua mala de rodinhas e desengonçadamente feito uma gazela desacorçoada. Melquideseque ainda responde à última sentença do moço:
- É, não somos bons. Vocês é quem são. Vai bonzinho, vai.
Melquideseque até pensou em chamá-los de volta, tentar mudar a situação, acalmar todos e permitir que dormissem ali pra partir no outro dia, mais calmos. Mas não conseguiu. Etelvina chora. A culpa lhes é imputada e o filho se afasta. Até quando? Até que o filho compreenda. E eles? Sim, eles também precisam refletir. Em Deus. Em Deus. Retroceder? Nunca. Mas precisamos aprender definitivamente que nossa luta não é contra as pessoas (Ef. 6:12) e acordar para que o amor não esfrie (Mt 24:12). Lutemos pois nossas armas são poderosas em Deus para destruir fortalezas, conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo (2 Cor 10:4-5). Melquideseque e Etelvina se colocam na brecha pelo filho, que está com eles, para a glória de Deus. Orando também por seus amigos. Graças ao Senhor pela multidão de Suas misericórdias que se renovam a cada manhã e duram para sempre. Em Cristo e por Ele, amém. (Is 63:7; Sal 44:26; Sal 51:1; Sal 106:45; Sal 145:9; Lam 3:22, 32; Dan 9:18;  2 Cor 1:3).


1 Response to "Retroceder? Não!!"

  1. Paz, Vanessa! realmente, é difícil manter um padrão cristão diante de tanta confusão e religiosidade vazia que distorce tão brutalmente os valores morais nas famílias... Esta crônica, com certeza, faz parte de cenas que, infelizmente, são reais e permanecem em nossos cotidianos! Que os cristãos tomem coragem de ter atidude de JAMAIS quebrar princípios, e serem firmes no que a Bíblia ensina sobre conduta e moral! Deus continue te usando, em Nome de Jesus!

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