À margem no centro

                                                              Por Vanessa Utzig

Melquideseque às vezes tem vontade de sair, viajar, morar talvez no litoral, trabalhar numa praia e se pudesse, queria mesmo ser pirata.
- Que bobagem, Melqui. Pirata! Tu lá sabes o que é ser pirata? Pirataria é banditismo, não tem nada de tão emocionante como esses filmes hollywoodianos. Ta vendo muito “Piratas do Caribe”, amor.
E é verdade. Mais uma vez estava ele assistindo “Piratas do Caribe”, pela quinta vez. Sempre dizendo que não assistiu. Seu gosto por aventura revela sua eterna criancice. E  ainda implicava com Etelvina, chamando-a de criança por gostar da “Fantástica fábrica de chocolates”. Mas esse aí pelo menos trata da educação das crianças, da convivência familiar, do caráter.
- Pois eu ia gostar de ser pirata.
- Isso é gosto por aventura ou por transgressão? – pergunta meio enfastiada da sempre enciumada Etelvina.
Desta vez Melquideseque não responde. Sua mudez poderia ser entendida como uma dúvida acerca de si. Ficou a matutar a pergunta de Ete. O gosto pela aventura, aquela coisa infantil de ser pirata, não chega a ser pecado nem mesmo tentação, pois como seria um pirata do mar nos dias de hoje? Existem, mas são outros, é outra pirataria, maior tecnologia, coisas que a gente nem supõe, tão à margem estamos neste mundo. A pirataria  hoje, todos sabemos, envolve tráfico de drogas e armas, no meio de cópias de Cds e Dvds e marcas – tênis, roupas, relógios... Essa não é a pirataria aludida por Melquideseque. Realmente sua fantasia não passa de aventura, alto mar, viagens incríveis. Infantil. No bom sentido, graças a Deus. Seu ideal de pirata foi concebido por filmes e literatura juvenil, desde há muito acalentada. Sua dedicação aos sonhos que não ultrapassam a mente acabaram por estourar junto de outras mazelas e frustrações na famigerada droga. Mas isso é passado, no fundo do mar. Do Mar do Esquecimento (Miquéias 7:18-19). Ainda que não encontre a palavra “centro” na Bíblia, Melquideseque sempre ouve a expressão: “estar no centro da vontade de Deus”. E é isso o que quer e persevera em estar. Mesmo à margem do mundo – o que é bom (Tiago 4:4). E tenho dito. Aleluia.



   

2 Responses to "À margem no centro"

  1. O sonho infantil de "ser pirata",ou super-herói, poderia ser vivido por aqueles que se tornam missionários em nações onde o Evangelho é perseguido... O Reino de Deus tem falta de "Santos Corsários", que invadam os territórios das trevas para saquear o inferno e traficar a Palavra!

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  2. Glória a Deus!!! É verdade, Danielson. Paulada esta tua "chamada" - insoiradora mesmo. Obrigada, que Deus te abençoe e continue te usando e capacitando cada vez mais, Benção! Em nome do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, amém e amém.

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