Ateístas perdem a carta da Ciência


por: Kelvin

Esta é a tradução de um artigo do apologista Dinesh D’Souza1 para o periódico virtual tothesource2.

“O ateísmo contemporâneo marcha sob o banner da ciência. Talvez não seja surpresa que vários líderes ateístas – do biólogo Richard Dawkins ao psicólogo cognitivo Steven Pinker3 e ao físico Victor Stenger4 – são também “líderes” cientistas. O argumento central destes cientistas ateístas é que a ciência moderna refutou as concepções religiosas tradicionais de um criador divino.

Mas ultimamente o ateísmo parece estar perdendo sua convicção científica. Um sinal disto são os anúncios públicos que vêm aparecendo em outdoors de Londres à Washignton DC. Dawkins patrocinou uma campanha em Londres para pôr sinais nos ônibus da cidade dizendo “Provavelmente Deus não existe. Agora pare de se preocupar e aproveite a vida.”5 Grupos humanistas nos EUA lançaram uma campanha similar na capital da nação. “Porque acreditar num deus? Apenas seja bom, em nome da bondade”. E no Colorado, ateus estão patrocinando outdoors aparentemente inspirados por John Lennon: “Imagine... nenhuma religião.”

O que notável sobre esses slogans é a filosofia por trás deles. Não há nenhuma alegação aqui de que Deus falha em satisfazer algum critério de validação científica. Não ouvimos nada sobre como a evolução minou o tradicional “argumento do design”. Não há nem mesmo um sussurro sobre como a ciência é baseada na razão enquanto que o Cristianismo é baseado na fé.

Em vez disso, temos a simples asserção de que provavelmente não há Deus, seguido pelo conselho de ir em frente e divertir-se. Em outras palavras, não vamos deixar Deus e seus dez mandamentos atrapalharem-nos a gozar a vida. “Seja bom em nome da bondade” é tão verdadeiro quanto profundo, algo que não é. A questão permanece: qual a fonte destes padrões de bondade que parecem ser compartilhados por pessoas religiosas e não-religiosas? Finalmente, John Lennon soube compor uma música, mas ele mal poderia ser considerado uma autoridade confiável em questões fundamentais. Seu “imagine que não há nenhum Céu” soa visionário, mas é, de um ponto de vista intelectual, uma completa nulidade7.

Se você quer saber porque os ateístas parecem ter desistido da cartada científica, a edição corrente da revista Discover provê parte da resposta. A revista tem um artigo interessante de Tim Folger que é intitulado “A Alternativa da Ciência para um Criador Inteligente”8. O artigo começa por notando “um fato extraordinário sobre o universo: suas propriedades básicas são estranhamente ajustadas para a vida.” Conforme o físico Andrei Linde, “Nós temos um bocado de coincidências muito, muito estranhas, e todas essas coincidências estão lá de forma que tornam a vida possível.”

Todavia, coincidências demais implicam uma conspiração. O artigo de Folger mostra que, se os valores numéricos do universo, da velocidade da luz à força da gravidade, fossem mesmo que ligeiramente diferentes, não haveria universo e vida. Recentemente cientistas descobriram que a maior parte da matéria e energia no universo é constituída das tão faladas “matéria escura” e “energia escura”9. Mesmo a quantidade de matéria escura parece precisamente calibrada para fazer possível não somente nosso universo, mas observadores como nós, que podem compreendê-lo.

Mesmo Steven Weinberg, o ganhador do prêmio Nobel laureado em física e franco ateísta, observa que “esse é o fine-tuning que aparenta ser extremo, bem longe do que você poderia imaginar como aceitável para ser um mero acidente.”10 E o físico Freeman Dyson aponta para a conclusão apropriada a partir das evidências científicas até então: “O universo de alguma forma sabia que estávamos chegando.”11

Folger então admite que essa linha de pensamento é desconfortável para vários cientistas. “Físicos não gostam de coincidências.”12 “Eles gostam muito menos é da noção de que de alguma forma a vida é central para o universo, e descobertas recentes os forçam a confrontar exatamente essa idéia.”

Há dois problemas aqui, um histórico e o outro metodológico. O problema histórico é que a ciência vem a três séculos demonstrando que o Homem não ocupa uma posição privilegiada no cosmos, e agora parece que ocupa. O problema metodológico é o que o físico Stephen Hawking uma vez chamou de “o problema do Gênesis”. A Ciência é a busca de explicações naturais para fenômenos naturais, e o que poderia ser mais embaraçoso do que descobrir que uma inteligência supra-natural transcendendo todas as leis naturais está por trás de tudo?

Consequentemente muitos físicos estão explorando uma possibilidade alternativa: múltiplos universos. “Nosso universo pode ser um em meio à uma infinidade de outros universos, num inconcebivelmente vasto multiverso”. Folger diz que “em vez de invocar um criador benevolente”, isso é o melhor que a ciência moderna pode fazer. Para físicos contemporâneos, ele escreve, essa “pode ser talvez a única explicação não-religiosa viável” para nosso universo finamente ajustado.

O apelo à múltiplos universos – talvez uma infinidade de multiversos – é que quando há bilhões e bilhões13 de possibilidades então até mesmo resultados improváveis serão realizados em algum lugar. Consequentemente, se há infinitos universos, algo como o nosso universo é certo de que iria aparecer nalgum ponto. O que para nós parece incrível coincidência pode ser explicado como resultado de uma inevitabilidade matemática.

A única dificuldade15, conforme Folger deixa claro, é que não há nenhuma evidência empírica para a existência de outros universos que não o nosso. Ademais, talvez nunca haja tal evidência. Isso é porque se há diferentes universos, eles funcionarão de acordo com leis da física diferentes do nosso, e consequentemente, estarão permanentemente e inescapavelmente inacessíveis para nós. Andrei Linde comenta: “Em algum outro universo, as pessoas verão diferentes leis da física. Eles não verão nosso universo. Eles só verão o próprio universo deles.”

O artigo na Discover conclui com uma nota melancólica. Alguns cientistas têm esperança de que sua teoria dos múltiplos universos ganhará plausibilidade se tiver capacidade de produzir predições sobre nosso universo que possam ser empiricamente testadas. “Para muitos cientistas, no entanto, o multiverso continua como uma medida desesperada, excluída devido à impossibilidade de confirmação”.

Não é sem razão de que ateus estejam patrocinando outdoors pedindo-nos que “imaginemos um mundo sem religião”. Quando a ciência, longe de desprovar Deus, parece estar apontando com precisão nunca antes vista para a transcendência, imaginação e wishful thinking15 parecem ser tudo que restou aos ateístas para contarem com.”

1
: Dinesh D’Souza é ex-analista político interno da Casa Branca, e atualmente é pesquisador do Hoover Institute, na Universidade de Stanford. Apologista e palestrante, é autor de What’s So Great About America, The Virtue of Prosperity, The End of Racism, e What’s So Great About Christianity, traduzido no Brasil como A Verdade sobre o Cristianismo - leitura recomendada.
2: http://www.tothesource.org/12_2_2008/12_2_2008.htm
3: Psicólogo cognitivo e lingüista canadense, autor de Do que é Feito o Pensamento e Como a Mente Funciona.
4: Físico de partículas, é autor de Has Science Found God? e God, the Failed Hypothesis.
5
: http://www.atea.org.br/
6: http://www.foxnews.com/story/0,2933,450445,00.html Tradução aproximada.
Do original, "Why believe in a god? Just be good for goodness' sake”.
7: Dawkins faz menção à tal citação da música de John Lennon no prefácio de Deus, um Delírio. Uma refutação interessante sobre isso pode ser vista em http://neoateismodelirio.wordpress.com/2009/11/01/deus-um-delirio-os-prefacios-da-baixaria-3-mais-auto-ajuda-trazida-por-dawkins/
8: http://discovermagazine.com/2008/dec/10-sciences-alternative-to-an-intelligent-creator

9: http://www.guia.heu.nom.br/energia_escura.htm

10: http://www.arn.org/blogs/index.php/literature/2008/11/20/the_metaphysics_of_multiverse_theory
11: Idem 8
12
:
Observação interessante sobre isso pode ser vista em http://highway358.blogspot.com/2009/05/maravilhosas-coincidencias.html
13:
Talvez uma brincadeira com o nome do livro do falecido astrônomo e ateu Carl Sagan, Bilhões e Bilhões
14:
“Única” é pura deturpação dos fatos por parte do Folger. Além de ser uma hipótese completamente ad hoc (http://www.skepdic.com/brazil/adhoc.html), ela daria lugar à vários absurdos – vale a pena conferir o seguinte vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=mejuckJioL4&feature=player_embedded
15: Conhecida falácia, do tipo “Seria bom que X fosse verdade, logo X é verdade”. http://blog.criticanarede.com/2008/08/wishful-thinking.html

2 Responses to "Ateístas perdem a carta da Ciência"

  1. Como ex-ateu racionalista, este texto trouxe muitas lembranças... Aliás, lembranças ridículas quando eu poderia ter sido um dos patrocinadores de outdoors... Misericórdia! Ainda bem que a Misericórdia, a Bondade e a Graça de nosso Deus alcança a todos que se permitem... Oremos para que caiam as escamas dos olhos desses "meus ex-colegas", em Nome de Jesus, e que eles recebam também a alegria da Salvação!

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  2. "Um grão de filosofia dispõe ao ateísmo; muita filosofia reconduz à religião."
    Platão

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