O Filho Pródigo

A parábola do filho pródigo é um dos textos mais conhecidos da Bíblia, e talvez um dos mais usados para ministrações em todas as igrejas! Foi também o tema de uma de minhas primeiras “pregações”, quando fui chamado a dar meu testemunho de conversão num culto à tarde, na igreja em que eu congregava em 2006.
Pegue sua bíblia aí a mão, leia com calma e atenção toda a parábola, em Lucas 15.3-32, e depois prossiga acompanhando este texto. Pode ir! Eu espero!
...
Já leste tudo com atenção? Puxa!!! Que rápido!!!
Me identifiquei com esta parábola, porque eu também vivi em um ambiente sob a proteção de Deus Pai, no qual eu tinha fácil acesso à Palavra de Deus e às Suas bênçãos... Mas com o passar do tempo, peguei os dons, bênçãos e talentos que Ele me deu e saí da presença d'Ele, me tornando um ateu revoltado e provando da amargura de viver no mundo...
Entretanto, o Senhor foi misericordioso com minha vida, me aceitou de volta e restituiu muito mais do que eu já possuía!!! Então, por isso esta palavra fala tanto ao meu coração, e quero compartilhar contigo um pouquinho do que Deus fala comigo nesta parábola.
Bom, então vamos nos deter nos seguintes trechos, em Lucas 15.20-24:
“20 E, levantando-se, foi para seu pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou. 21 E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho. 22 Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés; 23 E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos; 24 Porque este meu filho estava morto, e reviveu, tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a alegrar-se.”
A primeira coisa que me chama a atenção é que tudo o que aconteceu com o filho pródigo NÃO FOI VONTADE DO PAI! Na verdade, foi pura e simples consequência das escolhas do filho! Se ele passou fome, foi humilhado, comeu comida de porcos... Nada disso teria acontecido, se ele permanecesse sob as bênçãos do pai! Da mesma forma, na maioria das vezes, o mal, as perturbações, as dores pelas quais passamos não são “vontade de Deus”, mas fruto de nosso afastamento d'Ele! Ao nos afastarmos de Deus, o inimigo sente-se no direito de atacar-nos como desprotegidos que estamos... Mas aí entra a SEGUNDA coisa que aprendo:
Se o pai viu o filho voltar quando ainda estava longe (v20a), e correu em direção para acolher amorosamente o filho, então Deus também não se importa com o que fizemos, ou andamos... Ele está ESPERANDO nossa volta, nosso arrependimento. Se Ele perceber em nosso coração um arrependimento genuíno, um real propósito de mudança, e nossa atitude concreta de retornar a Ele, Ele também nos acolherá sem perguntas, sem acusações, em amor! (Foi assim comigo!)
No versículo 22, o “pai” (representando Deus) toma várias atitudes de amor e misericórdia em relação ao filho: roupa nova, anel e calçado.*Roupa nova: perdão dos pecados, limpeza das culpas, libertação e restauração espiritual. Se nos arrependermos em nosso coração, confessamos nossos pecados e convertermos nossa conduta, Deus apaga nosso pecado e nos restaura completamente!*Anel: significa “aliança”, ou renovação da aliança com Deus. Mas também significa “autoridade”, porque o “sinete” era um anel timbrado que representava a autoridade. Dar um anel a alguém significava outorgar a ela poder e autoridade. Ao nos arrependermos e voltarmos, Deus não apenas realiança-Se conosco, mas também nos outorga poder e autoridade!*Alparcas (calçado): proteção e honra. Proteção, porque o calçado nos protege do “chão” (mundo), de maneira a podermos caminhar no mundo sem ser contaminado pelo mundo. Honra, porque os “servos” não usavam calçados, então, ao calçar os pés do filho arrependido, o pai estava dizendo: “não és mais servo, mas filho”. Esta proteção tem a ver com o próprio Deus e também com os líderes que ele levanta sobre nossa vida, como cobertura espiritual (a Igreja que Deus nos encaminha para congregarmos, nossos líderes e pastores...). No versículo seguinte (v23), Deus continua mostrando as bênçãos do arrependimento sincero: o “bezerro cevado” representa a provisão material que Deus garante sobre nossas vidas, e a festa representa a povisão psicológica (cura da alma, restauração dos relacionamentos, alegria, paz, segurança sócio-afetiva) que Deus oferece.
Creio que a ORDEM em que as bênçãos do filho arrependido foram narradas por Jesus nos ensina muito também! Muitos vão para a Igreja correndo atrás de bênçãos específicas, mas creio que Deus tenha uma certa ordem prioritária para nos abençoar: primeiro, perdão; refazer a aliança; proteção... Só então, a provisão. As coisas são ordenadas por suas prioridades! Não adiantaria nada ter a provisão, sem que os itens anteriors fossem preenchidos... Deus não é Deus de confusão!
Não está na parábola, mas eu penso as vezes: será que o filho pródigo/arrependido sentia saudade do tempo que se alimentava de lavagem para porcos e morava no chiqueiro? Imagino que não! Mas muitas vezes nós nos lembramos de nossa antiga vida com saudade, como se estivéssemos dizendo: “Ai, que saudade daquela lavagem tão boa! Como era bom dormir junto aos porcos! Ah, uma hora dessas vou dar uma chafurnadinha na lama só prá lembrar desses bons tempos!” (Tá amarrado!!!)
Se Deus nos restaurou, devemos viver em novidade de vida, sem olhar prá trás. Deixemos que o passado seja enterrado e nos concentremos em administrar nosso presente, para que o melhor de Deus se cumpra em nosso futuro! Mágoas, formas de pensar, agir, falar, sentir... coisas do passado devem ficar lá, numa espécie de “museu de horrores” pouco visitado, para que nossa atenção se focalize no propósito de Deus para nossa vida!
Também me chama a atenção o melindre do filho mais velho, que ficou com o pai e não fugiu. Como é comum ver isso nas igrejas: pessoas que se melindram e se magoam quando um crente mais novo recebe atenção! Mas Deus usa o personagem do “pai” na parábola para dizer: o que é Meu é teu, pois sempre estiveste comigo. Cabe aos “filhos mais velhos” - crentes mais experientes – exercerem o amor fraternal e AJUDAR A CUIDAR dessas ovelhas que retornam, em vez de se magoar e melindrar por causa dela!
Não estamos aqui para sermos “reconhecidos” ou “exaltados”, mas sim para apascentar as ovelhas que Cristo nos envia. Não podemos dizer que amamos a Deus se nos aborrecemos e aborrecemos nossos irmãos! Somos um mesmo corpo! A luta de um é a luta de todos! A vitória de um é a vitória de todos! Mas há prioridades de atendimento, justamente para aqueles que estão mais enfraquecidos... Importante que sejamos capazes de reconhecer que já somos adultos e não precisamos competir na atenção de nossos líderes com os crentes recém-chegados ou em dificuldade urgente! (já temos o “anel”, já temos o Poder de Deus!)
Deus consola os filhos mais velhos dizendo: “o que é Meu é teu!”. Essa segurança: teremos, sim, de Deus, aquilo que necessitarmos! Mas precisamos suportar a urgência de cuidar dos mais frágeis, e contribuir com isso!
Roupas limpas, anel, calçado, bezerro cevado, festa... Tudo que é de Deus também é nosso!
Mas que sejamos capazes de alegrarmos com aqueles que Deus restaura!
Que sejamos capazes de suportar a espera!
E que sejamos rápidos em perceber que estamos nos afastando da casa!
Deus está o tempo todo olhando o horizonte, à espera de nossa volta, para nos abraçar e nos dar perdão, aliança, poder, provisão...
...Cabe a cada um a decisão de sair do lodo e voltar, arrependido, à Casa do Pai!

1 Response to "O Filho Pródigo"

  1. Maravilhoso estudo, mas temos que tomar cuidado com algumas citações que tenho visto muitos pregadores e até mestres fazerem que induzem ao leitor ou ouvinte a compreeder esta parabola de forma errada; a Bíblia não diz que o filho se alimentou da comida de porcos a Bília diz que ele DESEJOU SE ALIMENTAR; um erro simples mas que pode tirar o brilho desta passagem.
    *LUCAS
    15.15 Então, ele foi e se agregou a um dos cidadãos daquela terra, e este o mandou para os seus campos a guardar porcos.

    15.16 Ali, DESEJAVA ele fartar-se das alfarrobas que os porcos comiam; mas ninguém lhe dava nada.

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