Humor na Bíblia - Parte I

Por Eliézer Rodrigues.








Eitá lá! Eita lá! Eita lá!
Talvez você que já é nosso leitor assíduo esteja estranhando o fato de eu estar postando no domingo. Calma lá...eu explico.
Essa semana foi um tanto conturbada e tivemos duas baixas consideráveis na nossa equipe.
Laércio e Jaziel tiveram alguns problemas e decidiram por deixar o blog. Em nome de toda a equipe O Semeador, sou grato aos dois pela parcela de contribução.
Como não podemos parar, estarei quebrando um galho até definirmos os novos escritores das colunas Mensagens e Humor.
Decidi então por unir as duas colunas nesta postagem...e iremos ver algo sobre o 'Humor Bíblico'.
Não! Não irei fazer piada nem qualquer tipo de brincadeira com a Santa Palavra de Deus. Mas vamos observar neste e em mais algumas postagem o humor nas entrelinhas da Bíblia Sagrada.

Começaremos a ver alguma coisa sobre 'negócios, negociações, pechinchas e preços'.

A Bíblia descreve, por exemplo, os orientais exercendo sua milenar arte de negociar. É o caso da advertência de sabedoria: "'Mau, mau', diz o comprador antes de comprar e, depois, sai gabando-se da compra" (Pro 20, 14).
Preços e descontos também estão incluídos na Biblia Sagrada, é o que vemos no Novo Testamento quando os pássaros sofrem um desconto, quando vendidos "no atacado": dois pássaros custam um asse (Mt 10, 29), mas cinco pássaros custam dois asses (Lc 12, 6).

A habilidade oriental é descrita não só nos livros sapienciais, mas também em relatos protagonizados pelos heróis bíblicos.

Assim, Abraão, o pai dos árabes e dos judeus, atreve-se a pechinchar com o próprio Deus. Na conhecida passagem da intercessão por Sodoma (Gn 18, 22 e ss.). Ante o desígnio de Deus de destruí-la, Abraão começa pedindo clemência para a cidade, em atenção a um eventual número de justos que nela se encontrem. E fixa um primeiro lance: cinquenta justos (Abraão bem sabe que não há - nem de longe - cinquenta justos na cidade e, portanto, Deus facilmente aceitará esta proposta, que é puro 'expediente psicológico' para, por assim dizer, fazer com que Deus "aceite o jogo", "entre na loja").

Como bom negociante, Abraão não espera resposta e até antecipa o consentimento de Deus: "Longe de Ti fazer morrer o justo com o pecador! Acaso não fará justiça o juiz de toda a terra?". E Deus concorda, fixando bem, porém, os termos do contrato: "Se Eu encontrar em Sodoma cinquenta justos, perdoarei a cidade".

Ao ver que Deus entrou no jogo, Abraão, com ares de quem acaba de se lembrar de um pequeno detalhe, pede 10% de desconto a Deus, ajuntando (com ênfase no pequeno desconto e não no número principal): "Mas talvez faltem cinco aos cinqüenta justos: por causa de cinco destruirás toda a cidade?". Deus, cumprindo seu papel, responde, sempre com atenção ao total: "Não, se eu encontrar quarenta e cinco justos".

Abraão, entusiasmado com o sucesso inicial, continua pechinchando: quarenta, trinta, vinte e só quando atinge a marca de dez - presumivelmente segura, pelos seus cálculos -, fecha o negócio com Deus.

O patriarca aparece também em outro curioso episódio (Gn 23), hilariante por revelar a sutileza oriental, quando o assunto é dinheiro. Morreu Sara, mulher de Abraão que, como estrangeiro, não podia ser proprietário de terras em que pudesse sepultá-la. Mas era tal o prestígio de Abraão entre os heteus ("tu és um príncipe de Deus entre nós"), que estes deixam-lhe a mais ampla liberdade de escolha ("enterra teu morto na melhor de nossas sepulturas; ninguém te recusará sua sepultura a fim de que possas enterrar teu morto"). E mais, nessas circunstâncias, nem seria de bom tom cobrar a Abraão: o proprietário deveria ceder gratuitamente o campo que viesse a ser escolhido.

Quando Abraão, perante a comunidade, expõe seu interesse pelo terreno de um tal Efron ("Que azar! Tanto campo por aí e ele foi escolher logo o meu!") e se declara disposto a pagar por ele, Efron, afetadamente, diz que não, que lhe dará o campo de graça. Ante a insistência de Abraão em saber o preço, Efron, mineiramente, sai-se com esta: "Não, imagina se é o caso de cobrar ao senhor uma terra que vale quatrocentos siclos de prata". Abraão - prossegue a Bíblia - deu seu consentimento a Efron e pesou, diante da comunidade, exatamente o dinheiro que Efron "pedira": quatrocentos siclos de prata corrente entre os mercadores! E Jacó, em solene discurso a seus filhos, recorda-lhes, por duas vezes, que seu bisavô, Abraão comprou o tal campo de Efron (Gn 49, 30 e ss.).
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É galera...vimos que pechincha e negócios existem desde o princípio.
Talvez você nem tenha visto humor nesses relatos, mas é, no mínimo, curioso.
Curiosidade? Xiii!!! Vou parar por aqui porque a Carol Albini vai acabar me xingando.
Volto talvez na quarta-feira, ou não! Vai que me demitam por ter invadido a coluna da Carol :P

Um forte abraço pra todos e que Deus vos abençoe!

2 Responses to "Humor na Bíblia - Parte I"

  1. Ótimo texto...
    Além de curioso é bem interessante...rs
    Acho que a Carol não vai se importar pela invasão...kkk

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  2. Poxa! Muito bacana mesmo essa postagem...
    Apesar do Eliezer ter invadido meu espaço... Mas pode deixar, vou 'negociar' um aumento de salário com ele... hehe

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